Mostrando postagens com marcador ponto de vista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ponto de vista. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de janeiro de 2016

HEHEHE [rs]


Nunca tiver razões para falar de depressão, mas isto não quer dizer que já não tenha tido. Definir depressão é mais fácil se consultar o dicionário: distúrbio psíquico que se exprime por períodos duráveis e recorrentes de disforia, concomitantemente com problemas reais ou imaginários ou com experiências momentâneas de sofrimento, podendo ser acompanhado de perturbações do pensamento, da ação e de um grande número de sintomas psiquiátricos.
Pode ser, aliás, eu nunca tinha ouvido falar de disforia, mas por dedução só podia ser o antônimo de euforia. O pior são os movimentos bruscos entre euforia e a disforia, O embalo que causa frustração, e isto dói. E não sei porque não diminui, na verdade a frustração até parece diminuir, mas é só ilusão. Ela se une à mágoa, à negação, ao sofrimento, ira, inconformismos, arrogância, rancor, etc.

O que descobri é que costumamos jogar os [nossos] problemas nos outros, em causas e pretextos EXTERNOS. Por isso fica difícil de curar. Já ficou estabelecido que a depressão é uma doença e por ter sintomas que ‘podem’ ser tratados, é outro problema que já não é meu [nosso]. E mesmo em posse de uma descrição sobre o seu comportamento, a depressão pode até ser parecido em mim e você, contudo as diferença são tão ou mais importantes.

Se você se angustia e esta angústia gera animosidade porque tudo e todos parecem não entendê-lo, criando conflitos inexplicáveis e/ou circunstâncias incômodas, como se estivessem olhando atravessado ou cochichando às suas costas é porque o culpado é...

Um dos reflexos da pré-depressão é a incapacidade de responder aos desafios, provocações, E isto, antes de ficar só na frustração – porque dependerá de como cada um reage – cria insinuações ou, como já dito, problemas reais ou imaginários ou com experiências momentâneas de sofrimento, podendo ser acompanhado de perturbações do pensamento,

Se você for do tipo que luta com todas as forças, a frustração surgirá junto com o rancor – o ódio, principalmente dos outros – e se você for do tipo que dá socos em ponta de faca ou que se cansa [como eu], a frustração será acompanhada de impassibilidade, apatia.

Porém no fim se fixará como depressão por causas díspares apesar de parecerem semelhantes. Depressão, por ser um estado de inconformismo – tendência ou atitude de não se acatar passivamente o modo de agir e de pensar da maioria do grupo por origens variadas – se resume em suicídio à conta-gotas mais ira contra si próprio – que chamamos de ira contra todos e tudo.

Não perca tempo culpando os outros e justificando suas [deles e de si próprio] críticas. Quem está depressivo mesmo, hein? A forma como encaramos e julgamos e justificamos pode até parecer óbvias, mas quando estamos descompensados, até os santos nos parecem insultar.

Porque o culpado sempre será você.

Não se desespere, a depressão é a tentativa de tudo voltar à normalidade. E o que é normal? Repense suas atitudes. Não fique indignado com os outros porque será consigo o problema. Enfim, meu conselho nãp surtirá efeito, como dizem tudo tem um tempo, confie e os meios [hábeis] aparecerão porque muitos olham por nós, mesmo que não percebamos. Não é uma causa bárbara!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

PONTO[S] DE VISTA




Nunca, jamais seremos inconvenientes. Há uma crença de que as pessoas são impecavelmente egoístas, mas isso é só a personagem que empregamos.  ver PONTO DE VISTA DEVERIA SER PECADO. Se couber àqueles que se incomodam, se incomodarem, então se incomodem ao máximo, porque tudo tem um porquê. Tire proveito da situação pois ela está te dizendo algo muito importante.

Eu posso falar por experiência – isto acontece só porque admito alguns defeitos que, digamos, poderiam ficar bem trancados no subconsciente. Ninguém quer deixar escapar os traumas, os medos e as raivas, por que elas assinalam o quanto somos ridículos. E eu disse: Quando ouço alguém dizendo que somente discerne, não cria julgamentos, eu me preocupo com o grau de ilusão.

Era verdade, mas porque eu me preocuparia com o que os outros pensam de mim? Se você está pensando em como sou afetado pelo o que os outros ‘afirmam’ com tanta exatidão, bem, depende. Um dos aspectos mais visíveis e pouco claros é ver aquilo que somos refletido no outro, principalmente se for algo que abominamos. Como eu falei, tire proveito...

É óbvio que o que te incomoda é o que você reconhece. Se me chamarem de – por exemplo – frustrado, eu me incomodarei porque eu sou, em parte. Mas se ouvisse magro, nem daria atenção, não reconheço a importância disto. E se eu percebo algo que me incomoda, então procuro ver onde eu sou igual no que condeno. Às vezes me incomodo por achar que sou de um jeito que ninguém percebe... sendo assim, imagino que todos estejam falando pelas minhas costas sobre aquilo que só eu vejo, sinto.

Enfim! Somos invariavelmente egoístas e complicados.

E o destino, nada mais é que um planejamento cujo livre-arbítrio se encarrega de ‘empurrar’ para o caminho. Somos donos de todas as etapas do caminhar, de curta ou longuíssima duração. Porém, chegará um momento em que eles darão espaço para um novo planejamento nada cármico...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

BLASFEMAR, PODE?

Depois de um longo ano sabático – mais um mês de experiência – devotado a blasfemar, um contrassenso exigido pelas minhas anomalias de caráter? Ou seriam por causa das verdades não tão verdadeiras que se colidiam em conflitos tão ou mais épicos do que os mitológicos. Em análise estive – ou ainda estou – como Teseu “pegando o fio de Ariadne”, ou seja, encontrando o caminho certo para resolver algum problema. Se bem que talvez não tenha um!

Que seja...

Se para seguir em frente, sair do labirinto, é preciso romper as regras – com perseverança, porque sem, nem precisa tentar, acredite. E romper as regras dói.

É blasfemar, porque no caso de você estar doente – como eu, incuravelmente doente – só precisa admitir que as crenças não passam de hábitos que repercutem por tanto tempo que elas se tornam leis e daí para se tornarem verdades basta um idiota – por vez – que acredite que o mundo é quadrado... Sabemos que bastam meias-verdades espalhadas na internet e elas serão corroboradas e então tais verdades...

Há uma citação geralmente atribuída ao escritor Mark Twain que diz: “Uma mentira pode viajar ao outro lado do mundo enquanto a verdade está calçando seus sapatos”. Mesmo porque esta citação jamais foi dita por ele, mas circula como se houvesse, comprovando que está mais certa do que nunca.


Então o que eu quero dizer com o é preciso blasfemar para que se chegue à Verdade? Pode ficar tranquilo, não precisa destruir, devassar, explodir ou implodir a sua Verdade. Só precisa entender que elas existem sem que precise de intermediários.

Se eu estou falando de religião? Óbvio que também.

E pensar que o impacto deste julgamento ou raciocínio nos obriga a mudar, de ideais, de crenças, de religiões, de sociedades, comece a mudar sua ideia de que buscar implica em trocar. Neste caminho você precisará das experiências, boas e más, para entender que as respostas mais simples são as verdadeiras.

Por fim eu me dei um HARD RESET. E um novo caminho surgiu, um em que basta o acaso agir e a mente vazia, sem ideias preconcebidas, absorva o que deve, Se bem que Buda já disse: “O primeiro passo para se livrar dos vínculos e grilhões dos desejos mundanos é controlar a própria mente, é cessar as conversas vazias e meditar”. Nada fácil, principalmente se “A natureza búdica existe em todos os homens não importando quão profundamente eles a ocultem com a cobiça, a ira, a tolice ou a soterrem com seus atos ou retribuições. A natureza de Buda não se perde nem é destruída, tão logo toda a corrupção seja removida, ele sai de sua latência e reaparece”.


segunda-feira, 17 de março de 2014

O QUE ESTÁ ESCONDIDO ATRÁS DOS OLHOS.

Era uma vez seis cegos à beira de uma estrada. Um dia, lá do fundo de sua escuridão, eles ouviram um alvoroço e perguntaram o que era. Era um elefante passando e a multidão tumultuada atrás dele Os cegos não sabiam o que era um elefante e quiseram conhecê-lo.

Então o guia parou o animal e os cegos começaram a examiná-lo:

Apalparam, apalparam...Terminado o exame, os cegos começaram a conversar: — Puxa! Que animal esquisito! Parece uma coluna coberta de pelos!

— Você está doido? Coluna que nada! Elefante é um enorme abano, isto sim!

— Qual abano, colega! Você parece cego! Elefante é uma espada que quase me feriu!

— Nada de espada e nem de abano, nem de coluna. Elefante é uma corda, eu até puxei.

— De jeito nenhum! Elefante é uma enorme serpente que se enrola.

— Mas quanta invencionice! Então eu não vi bem? Elefante é uma grande montanha que se mexe.

E lá ficaram os seis cegos, à beira da estrada, discutindo partes do elefante. O tom da discussão foi crescendo, até que começaram a brigar, com tanta eficiência quanto quem não enxerga pode brigar, cada um querendo convencer os outros que sua percepção era a correta. Bem, um não participou da briga, porque estava imaginando se podia registrar os direitos da descoberta e calculando quanto podia ganhar com aquilo.

A certa altura, um dos cegos levou uma pancada na cabeça, a lente dos seus óculos escuros se quebrou ferindo seu olho esquerdo e, por algum desses mistérios da vida, ele recuperou a visão daquele olho. E vendo, olhou, e olhando, viu o elefante, compreendendo imediatamente tudo.

Dirigiu-se então aos outros para explicar que estavam errados, ele estava vendo e sabia como era o elefante. Buscou as melhores palavras que pudessem descrever o que vira, mas eles não acreditaram, e acabaram unidos para debochar e rir dele.


Por enquanto falamos das coisas que podemos ver, mas e aquelas que se escondem além dos sentidos da visão, olfato, audição, tato e paladar? Se você estiver pensando em algo imponderável do campo divino e mediúnico, pois saiba que não. Mesmo porque, quando morremos – escolha uma opção post-mortem e não fará diferença alguma – não deixamos de ser quem somos e, portanto, iremos perscrutar o céu usando todas as nossas capacidades sensoriais.

Deste modo, os anjos também compartilham das mesmas características sensoriais que os encarnados, vivos. Os que me faz pensar, será que também os mortos vivem em ilusão? Será que quaisquer imagens que façamos de uma vida após a morte condiz com as nossas crenças? Múltiplas opções... O que torna as religiões não só uma ideia do caminho, mas também um molde para os “céus” criados. Um ser é constituído de suas percepções, o mundo está ao alcance dos cinco sentidos – devemos até considerar um sexto. No sutra do coração Buda diz:

“Oh Shariputra, todos os dharmas [doutrinas] são vazios, nem surgem, nem findam; nem são impuros nem puros, destituídos de acréscimos ou perdas; assim, no vazio não há forma, nem sensação, conceituação, discriminação ou consciência; nem olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, mente; nem cor, nem som, nem cheiro, nem sabor, nem tato, nem fenômeno; nem campo da visão, nem campo da audição, nem campo do olfato, nem campo gustativo, nem campo táctil, nem campo da consciência...”.

Este espaço vazio está mais além das ideias que modelamos de um mundo espiritual. Conforme a crença, podemos ter um inferno, purgatório ou céu; umbral e cidades espirituais de várias graduações; os reinos das transmigrações; etc. Elas servem de suporte para aquilo que realmente importa. No budismo tem uma história que explica bem esta ideia de duas mortes. [290313] Quando chegamos, depois de executar um infindável número de práticas espirituais, às portas da iluminação, estaremos prontos para entender que aquilo que chamamos de iluminação não passava de um chamariz. Porque sem estas práticas, não é possível compreender o que os mestres querem dizer sobre a iluminação, ou extinção do ego, ou a manifestação do não-eu, estado búdico. Buda se refere a dois nirvanas nesta parábola da cidade fantasma, sendo a própria cidade um recanto para o descanso dos peregrinos, portanto uma iluminação parcial?! Entendeu?

O processo diz que: Todas as coisas nos servem de caminho para se alcançar a iluminação. A sua vida é perfeita como é, o que você se nega a aceitar é que alcançar a iluminação não é um destino, não é uma finalidade de suas meditações e orações, é um estado permanente que extingue o sofrimento que materializamos em nossas vidas através da arrogância de nos intitularmos como a voz da razão, de que tudo que tinha que existir já existe e o quê ainda não existe deve ser inventado e controlado pelo raciocínio humano.

Não teria problema se o homem não acreditasse que é um ser cheio de pecado e culpado e iludido e sem estima tanto para si quanto para aqueles que ele tenta segurar o progresso. O medo impõe regras, e as regras se baseiam nos medos para defender a sua autonomia. Cria e defende grupos que aprendem a se confrontarem, porque as regras determinam contrariedades justas. As regras, as leis, se baseiam no conhecimento de que somos os únicos a controlarem o destino.

Deus está escondido atrás dos nossos olhos, num vazio pleno de infinitas oportunidades.

sábado, 8 de março de 2014

131 - estar certo é estar errado.

As ferramentas que nos permitem o autoconhecimento também são sistemas, e como todo sistema de crença, são parciais e limitantes. Mas se quiser extrapolar estas informações usando o conceito que dá escopo a todos os sistemas, terá uma diretriz a guiar suas observações.

Dentro das constelações familiares, a adoção é uma brutalidade, e aqui eu não me refiro aos órfãos, se bem que é impossível haver um sem qualquer parentesco. Esta informação diverge daquilo que eu acolhi ser o correto e usava esta informação para criar estruturas de pensamento condizentes com este conceito de que a adoção é um ato de amor. Como a adoção poderia ser um ato de transgressão às leis de amor, mas quais leis de amor?

O erro está na ideia de que agir com compaixão é minimizar os danos gerados por ações negativas que advém de ações aceitáveis. Escolhemos adotar uma criança porque é mais fácil lidar com as consequências do que com a fonte. O correto seria atuar na causa do abandono e não reparar estas ações. Promover o bem-estar da família é garantir a coesão familiar. Não queremos realmente ajudar estas famílias que foram corrompidas por sistemas de crenças segregacionistas e injustos, porém interferimos onde achamos tolerável agir. Esta é uma ideia válida, no entanto estamos tão acostumados a agir conforme estas regras – sejam humanas ou religiosas – que provavelmente alguém deve estar pensando que eu sou contra. Por eu estar dentro deste sistema de crenças, também concordo com a adoção nos termos que hoje são regulados. Mas isto não tira a oportunidade de pensar no que realmente a adoção se propõe. É óbvio que em casos de perigo ainda precisamos intervir porque não fomos capazes de criar meios de se evitar as causas primordiais do abandono, da crueldade e do cárcere.

Pensamos que os problemas familiares são problemas do Estado e quando adotamos estamos fazendo um favor, mesmo aqueles que admitem que a adoção é um presente precisam arcar com as consequências que esta ação provoca no sistema familiar de origem. Não estou querendo fazê-los desistir da ideia, nem que os seus ideais de amor e compaixão se esmoreçam, mas quero fazê-los pensar o quanto aceitamos calados a destruição das famílias. Essencialmente estamos minimizando os danos e não solucionando-os.

Nas constelações familiares, a pessoa que se encontra fora do sistema, tende a criar mais desarmonia, ocasionado ações reparadoras desta exclusão que podem ser tão negativas quanto à ação original. Porque este sistema afirma que existe 1 - a necessidade de pertencer ao grupo, 2 - a necessidade de equilíbrio entre o dar e o receber nos relacionamentos e 3 - a necessidade de hierarquia dentro do grupo. Se nos parece um sistema rígido, diferente do que afirmamos ao considerar, por exemplo, a adoção uma ação imprescindível e magnânima, também é bastante plausível.

E os sistemas de crenças cármicas, onde nascemos exatamente onde deveríamos nascer? O erro está em aceitar que um sistema está em desacordo com o outro. Um se refere às causas que geram as escolhas, o outro, às ações que podem nos adequar às escolhas. Um outro, aos porquês destas escolhas e assim se segue infinitamente. Uma doença tem origem na culpa que carregamos por ações passadas, as suas causas e porquês geram as escolhas. Estas escolhas obedecem às necessidades requeridas por nós, sejam para redenção ou aprimoramento. Elas parecem destino, mas não passam de caminhos para se chegar lá, são livres-arbítrios e precisam de um meio onde criar, usufruir e destruir as ilusões que queremos extinguir. Este meio é regido por muitos sistemas que se integram para criar o melhor cenário possível para as escolhas, no caso, a doença.

A adoção é uma condicionante permitida por alguns sistemas, e as ações – sejam cármicas ou sociais – permitem e se adequam às escolhas dos envolvidos, portanto não existem falhas no que concerne às ações unificadas de Deus. O conhecimento destas informações explicam e oportunizam a reparação de outros danos – psicológicos, por exemplo –, e ampliam a experiência de que o problema está na nossa percepção do que é certo ou errado, se devemos ampliar nossas atuações ao âmbito da família.


“Quando os filhos não podem ser criados por seus próprios pais, a melhor alternativa serão provavelmente os avós. Estes, em geral, se aproximam mais das crianças. Se conseguem atraí-las, quase sempre cuidam muito bem delas – e a devolução aos pais é bem mais fácil. Não havendo avós vivos, ou caso eles não possam assumir o encargo, a próxima escolha é usualmente uma tia ou um tio. A adoção é o último recurso, e só deve ser cogitada quando ninguém da família está disponível.

Segundo minha experiência com famílias, o fator crucial são as intenções dos pais adotivos. Se realmente agirem no melhor interesse da criança, a adoção terá boa possibilidade de sucesso. Contudo, pais adotivos raramente consideram o interesse da criança, e sim o seu próprio: não podem ter filhos e se rebelam contra as limitações que a natureza lhes impôs. Implicitamente, pedem à criança que os proteja de seu desapontamento. Quando é esse o caso, o fluxo básico do dar e receber, bem como a ordem dos relacionamentos, desarranja-se logo de começo; os pais sofrerão as consequências de seus atos ou sofrerão os filhos.

Quando os parceiros adotam uma criança movidos por suas próprias necessidades e não pelo bem-estar dessa criança, efetivamente a tomam dos pais naturais para beneficiar-se. É o equivalente sistêmico do roubo de crianças; por isso traz consequências muito negativas ao sistema familiar. Na verdade, não importam os motivos que levam os pais naturais a enjeitar um bebê; os pais adotivos costumam pagar o mesmo preço. Sucede com frequência que casais se divorciem depois de adotar uma criança por motivos impróprios. Sacrificar o parceiro é a compensação por privar os pais naturais de seu filho. Em famílias com quem trabalhei, as consequências de adotar filhos por razões impróprias incluíam divórcio, doença, aborto e morte. Em sua forma mais destrutiva, essa dinâmica exprimiu-se pela enfermidade ou suicídio de um filho natural do casal.

Também não é incomum que filhos adotivos detestem seus novos pais e desprezem o que recebem deles. Nessas famílias, sucede muitas vezes que os pais adotivos se sintam secretamente superiores aos pais biológicos; o filho, talvez inconscientemente, demonstra solidariedade para com os pais naturais.

Às vezes, os pais naturais entregam os filhos para adoção sem necessidade. Então os filhos sentem um legítimo ressentimento contra eles, mas os pais adotivos é que passam a ser o alvo desse ressentimento. E as coisas pioram quando os pais adotivos assumem o lugar dos pais naturais. Se os pais adotivos têm consciência de que agem em substituição aos pais verdadeiros, os sentimentos negativos se concentram nestes e os adotivos ganham o reconhecimento que merecem. Trata-se de um grande alívio tanto para os pais quanto para os filhos adotivos.

Quando os pais adotivos ou de criação agem no interesse da criança, eles têm consciência de que são meros substitutos ou representantes dos pais biológicos, a quem ajudam a realizar o que não estava a seu alcance. Eles desempenham um papel importante, mas na qualidade de pais adotivos vêm depois dos pais biológicos, não importa o que estes sejam ou tenham feito. Se essa ordem for respeitada, os filhos podem aceitar e respeitar os pais adotivos.”

Bert Hellinger, A Simetria Oculta do Amor, Ed. Cultrix, pg. 121

domingo, 19 de janeiro de 2014

121 - significados ou preconceitos

Todo preconceito surge da nossa incapacidade de lidar com o que acreditamos. Talvez as crenças tenham sido mais prejudiciais do que gostaríamos de admitir. E em algum momento começamos a estabelecer regras que nos definem, quase todas nos foram impostas pelo meio e pelas pessoas que se tornaram – bons ou maus – exemplos. 

Acolher tais escolhas não é o mesmo que sanar todas as deficiências de caráter, mesmo que seja uma catarse – em essência, purificação do espírito através da purgação de suas paixões –, tendemos a justificar o erros camuflando-os como lições. Acolhemos as justificativas e transformemo-las em máximas de nossa esperteza e evolução, quando o ato de admitir é somente o primeiro passo. As justificativas são pontes, mas é a reflexão dos atos que ditam a sua percepção e a correção das regras – ou crenças.

É indiscutível este debate, somos o quê nos informaram e ensinaram, não tinha como ser diferente. E são estas diferentes “crenças” que geram os preconceitos. A sua razão esbarra com a de outras pessoas e, indiscutivelmente, tem que se defender.

Um padrão de regras que chamamos de crenças dependerá do contexto em que elas foram criadas, mantidas e repassadas. As impressões tendem a sofrer mutações de acordo com as mudanças comportamentais. Um conceito cultural apresentado em outras décadas tende a ser menos – ou mais – tolerante nos dias de hoje. Esta mudança é uma tentativa de eliminar conflitos e depende, em grande parte, do modo como as “crenças” são incorporadas e compreendidas pelas novas gerações.

O preconceito é um modo de dizer que o quê você pensa e vive é diferente do que outros acreditam. Nem certo ou errado, diferenças conceituais que passam ao status de verdade absoluta até que sejam derrubadas...

O modo como a mente processa a informação, as diferenças culturais, sociais, econômicas, sexuais, etc. não deveriam ser incompreendidas. Este medo de recuar ou, pelo menos, de tentar aceitar as diferenças – que não são suas, mas das informações que foram passadas a você – impede que se estabeleça a razão.


Uma das importantes funções da mente consiste em dar significado a um objeto de reconhecimento e fazer avaliação. Na maioria das vezes, apreendemos esse significado através dos sentidos, pela forma que tem o objeto reconhecido, pelo sentimento que desperta em nós, ou pelo som, ou cheiro etc. [...] O exemplo muito usado relacionado a isso é o "copo com água pela metade". A avaliação que as pessoas fazem quando olham para esse copo difere de acordo com a situação de cada uma delas. Quem está sentindo muita sede o avaliará positivamente, ao passo que alguém que caiu no rio e bebeu muita água poderá olhar para o copo achando que ele contém muita água, e o reconhecer como algo negativo. E certamente uma pessoa que não bebeu muita água nem está com sede não irá avaliar positiva nem negativamente esse meio copo de água. Observando tal reação da nossa mente, podemos dizer que ela, em linhas gerais, vê as coisas de modo dual, com duas faces diferentes. Uma face segundo o significado; e a outra, conforme a sensibilidade. 

Por exemplo, olhando agora pela janela do meu gabinete de trabalho, vejo elevando-se imponente, no terreno contíguo, em obra, uma máquina longa, de cor dourada, própria para escavações. Olhando para ela, pode haver pessoas que imprimam no cérebro o significado "É uma máquina de construção que enfeia a paisagem", e outras que, achando que sua cor e forma se parecem com um atirador de borracha criado pelas próprias mãos na infância, pensem "É um atirador gigante de borracha levantado para o céu". Podemos dizer que o primeiro caso é o modo de ver que prioriza o significado; e o segundo, o modo de ver que prioriza a sensibilidade. É licito supor que vemos dos dois modos, dependendo da situação ou do nosso estado de espirito no momento. No caso do modo de viver que prioriza o significado, temos a tendência para considerar o que se apresenta à nossa frente, relacionando-o com o objetivo de nosso interesse no momento.

[...] Ainda que existam aqui dezenas de milhares de cores, é possível que estejamos vendo um mundo em que nossa mente as reduziu a apenas três: branco (bem), preto (mal) e cinza (não me diz respeito). Quem vive numa metrópole inevitavelmente tende a ter visão que prioriza o significado. Por isso, ao mudar o nosso modo de ver para aquele que prioriza a sensibilidade, abre-se a possibilidade de surgir repentinamente, das fendas do significado monótono e sem colorido, algo maravilhoso que normalmente não enxergávamos ou não ouvíamos.

O princípio do Relógio de Sol, Masanobu Taniguchi.


Assim sendo, os sentidos e significados ainda encontram diferenças na forma de se expressar: a linguagem. Que imprime uma imagem que dependerá do ponto de vista do observador. Uma palavra que seja compreendida de modo diferente entre duas pessoas se deve ao significado que cada um tenha construído sobre ela. Pode ser um processo “local”, mas tem influencia direta das regras de uma sociedade ou nação, da religião, cultura e outras.


Palavras podem nos colocar em estados positivos ou negativos; são âncoras para uma série complexa de experiências. Portanto, a única resposta à pergunta "O que significa realmente uma palavra?" é "Para quem?" A linguagem é um instrumento de comunicação, e, portanto as palavras significam aquilo que as pessoas convencionam que elas signifiquem.

[...] As palavras não têm um sentido inerente, como fica claro quando ouvimos uma língua estrangeira que não compreendemos. Damos sentido às palavras por meio de associações ancoradas a objetos e experiências no decorrer da nossa existência. Nem todas as pessoas veem os mesmos objetos ou têm as mesmas experiências. O fato de outras pessoas terem mapas e significados diferentes é que dá riqueza e variedade à vida. Todos concordamos com o significado da palavra "pudim" porque todos já compartilhamos a visão, o cheiro e o paladar do pudim. Mas discutiremos bastante a respeito do significado de algumas palavras abstratas, tais como "respeito", "amor" e "política". As possibilidades de confusão são imensas. 

Como sabemos que compreendemos outra pessoa? Quando damos significado às palavras que ela usa — nosso significado, não o significado dela. E não há garantia de que esses dois significados sejam iguais. Como damos sentido às palavras que ouvimos? Como escolhemos palavras para nos expressar? E como as palavras estruturam nossas experiências?

Introdução à programação Neurolinguística, Joseph O’Connor.


BONDADE

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.

A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.

Nelson Mandela

sábado, 4 de janeiro de 2014

116 - todas as coisas são reais?

Todas as ações são reais.

Mentira. Existem coisas que não são bem a verdade, mas podemos chamá-las de verdade. Esqueçam isto, não quero explicar quais destas ações podem ser reais ou não. O importante é saber que existem ações que não “parecem reais”. Quando um médico afirma, ele se baseia em certezas médicas que encontraríamos em teses e pesquisas científicas, mais as evidências do sucesso destas, aplicados e comprovados pela experiência. Usam diagnósticos avançados e tecnologia que atestem os procedimentos que são sempre reescritos conforme as observações se mostrem mais apuradas.

Então surgem as “anomalias”. E para que as ações – sobretudo médicas – não percam credibilidade ou criem dúvidas, estabeleceu-se que o não-normal seria negligenciado. Não se podem concentrar as ações reais no que é anormal. O problema é que também negligenciamos a essência humana que é sempre evoluir, encontrar novas verdades. Digo, expandir o conceitos e encontrar a verdade. Esta busca será sempre inalcançável, mas prioritária.

Por que a gravidez imaginária acontece? Ou que algumas amputações traumáticas não causam dor? Certos remédios não curam, apesar de sua eficácia comprovada? E certos placebos curam? E que doenças incuráveis podem ser curadas e pessoas iludidas pelo medo morrem. O conceito de poder da mente é uma ciência que engatinha, contudo existe a milhares de anos. Não cabe aqui julgar quem esconde ou mente.

Parece inacreditável que o pensamento crie os modelos e as normas que regem este mundo e, ao mesmo tempo, cria modelos e normas deturpadas e incoerentes. Estamos sempre recriando as ações de nossos antepassados e desta forma não percebemos que poderíamos moldar novas percepções. Parece difícil aceitar que a mudança de pensamento poderia curar. Mas é muito mais incrível que possamos nos iludir com crenças limitadoras que afirmam ser Deus menos do que perfeito. Que destrói, que controla e faz sofrer, que ama somente quem faz o bem e opta. Que por vezes não interfere, porém parece ter preferências.
É um jogo de interesses, tanto daqueles que controlam, quanto de nós. Nós, que aproveitamos esta situação caótica para encontrar o caminho da evolução. Toda a ação do mal passa pelo crivo da bondade de Deus.

Pensar é domar o pensamento e usá-lo a nosso favor. Acreditar que as anormalidades são sinais que dizem: experimente novas verdades e descubra a verdade real. Assim como Buda, quando nos ensina que ao alcançar a iluminação, estaremos apenas aprendendo o caminho para a verdadeira iluminação. Que todas as ações – meios hábeis – são meios para se atingir a iluminação. 

“É tolice e desnecessário a uma pessoa continuar sofrendo simplesmente porque não alcançou a iluminação, quando esperava alcançá-la. Não há insucesso na iluminação, portanto a falha reside nas pessoas que, durante muito tempo, procuraram a iluminação em suas mentes discriminadoras, não compreendendo que estas não são as verdadeiras mentes, e sim, falsas e corrompidas, causadas pelo acúmulo de avidez e ilusões toldando e ocultando as suas verdadeiras mentes. Se este acúmulo de falsas divagações for eliminado, a iluminação aparecerá. Mas, fato estranho, quando os homens atingirem a iluminação, verificarão que, sem as falsas divagações, não poderá haver iluminação”.


Acreditando ou não nas capacidades humanas, se acreditar nas capacidades de Deus que está em cada um de nós, acreditará que todas as coisas são possíveis. Acho que precisarei fazer um podcast para tentar mostrar o quanto podemos nos boicotar ao determinar que tudo que nos dizem é imutável e permanente.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O PONTO DE VISTA DEVERIA SER PECADO


Como alguém sabe que é inconveniente, quero dizer, além daqueles que obviamente não se tocam quando se intrometem e impõem os seus pontos de vista como se fossem magnânimos.

O importante é que em algum momento da vida – senão na totalidade das horas acordadas – seremos inconvenientes para alguém, porque o ponto de vista é um meio social de dizer que julgamos irrestritamente. Julgamos porque acreditamos que é uma ferramenta “lícita” para se determinar o quanto aquele se comporta em relação ao que consideramos certo ou errado.

Quando eu ouço alguém dizendo que somente discerne, não cria julgamentos, eu me preocupo com o grau de ilusão. Conforme o dicionário, discernimento é: capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado ou, capacidade de avaliar as coisas com bom senso e clareza; juízo, tino. Então discernir – que não é julgar – é um sistema de avaliação mais arrogante, talvez um pouco mais benéfica quanto aos julgamentos irrestritos e difamatórios que presenciamos.

Ponto. Não vou mais julgar, discernir e nem cogitar a ação alheia. Por quê? Porque todas as relações e ações que ocorrem em nossas vidas são exatamente como são. O quê? Você não acredita em destino?! Nem eu.

O erro está em achar – julgar – que o destino nos dirige em todos os passos, mas ele apenas aponta a direção. Por exemplo: o destino é como uma cidade longínqua para onde nos dirigimos – que quase sempre nós desconhecemos. Os caminhos para se atingir o destino são tantos quanto o nosso livre-arbítrio admitir, porque na maioria das vezes nós nos negamos essa liberdade e criamos as nossas próprias prisões. Uma doença pode criar uma prisão se admitirmos que ela nos restringe, mas ela também amplia coisas, ideias, que desconhecíamos.

Contudo o destino não é só um. Temos milhares de pequenos destinos durante a vida e que exigem vários caminhos para percorre-los. Isto é uma dualidade, mas também a unidade intrínseca de todas as coisas.

Então, quando alguém me ofende com o seu ponto de vista eu tenho duas alternativas: aceitá-la em benefício do meu ego ou negá-la veementemente por ir contra o meu ponto de vista. Uma terceira: não lhe dar atenção se ela não acrescenta. Não estou falando de uma soberba – que pode acontecer, sim – nem de uma indiferença que definiria o seu ponto de vista como “autocrático”.

O meu dedo está levantado, caso queiram saber. Costumamos julgar – se quiser chamar de discernimento, vai em frente – com ou sem justificativas baseando-nos tão somente em nossas experiências e no que elas nos ensinou do certo ou errado. Isto é nadar contra a correnteza.

Não sei quanto a você, mas a noção de certo e errado é flexível e mutável, forjado nos exemplos que oferecemos aos nossos filhos. Quando julgamos o mal, o fazemos pela sua expressão manifestada e negligenciamos o que o transformou em mal. Sei que é difícil perdoar o mal, o sofrimento e a dor, mas podemos aprender que aqueles que nos causam o sofrimento estão apenas repetindo todo o sofrimento que experimentaram.

Todos já fomos crianças...